Resenha - A Escolhida por Lois Lowry

By | quinta-feira, dezembro 04, 2014 Deixe o seu comentário



     "Vale a pena trabalhar em algo que você é bom, mas que não te dá prazer e aquilo perde a magia?"

Título original: Gathering Blue
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 192
Ano de Lançamento: 2014



    



     Da mesma forma de “O Doador de Memórias”, Lois traz uma crítica em seu livro, levando aos
leitores a reflexão não só do livro, mas de sua vida também. Sendo também um livro independente, podendo ser lido de forma única.

     A Escolhida conta a história de Kira, uma garota de duas sílabas. Na sociedade que foi criada pela autora, não existe mais as cerimônias para cada ano e a pessoa de torna um dois ou um três. Neste livro, as pessoas são divididas em sílabas, conforme vai crescendo, vai ganhando outras sílabas ao nome. Sendo até usado como característica de avaliação, como por exemplo: tem a inteligência de quatro sílabas. Todos recebem até no máximo quatro.

     Como no volume anterior, o governo é um governo ditatorial, bem autoritário. Juntamente com isso, uma sociedade que vive com regras. Sendo uma delas que uma pessoa não poderá ser um fardo para a sociedade em geral, ela deve fazer alguma coisa. Caso não consiga fazer por ter se machucado ou por nascer com alguma anormalidade, será levada ao Campo, onde existem feras, e abandonada. E nossa protagonista está designada a isso.

     Assim que Kira nasceu, foi perceptível a todos os presentes, que ela havia certa deformidade na perna, uma era maior que a outra, o que dificultava a sua locomoção. Logo após seu nascimento, apareceram na casa de Katrina, sua mãe, para levarem sua filha, mas com esforço conseguiu deixa-la, prometendo que não seria um fardo para a sociedade.

     Cresceu aprendendo com sua mãe a arte do bordado, Kira trabalhava em um galpão de tecelagem como ajudante. Mesmo a mãe ensinando a filha, Kira aprendia sozinha e sempre teve mãos para isso, sendo melhor que sua mãe.

     Chega um dia que sua mãe contrai uma doença e acaba morrendo. Como lei da sociedade, toda vez que alguém morre de alguma doença, o barraco da pessoa deve ser queimado. Kira ficando, desse modo, sem ter onde morar. Devido a algumas circunstâncias, Kira é chamada no Edifício de Conselho para um julgamento, feito pelo Conselho de Guardiões, e lá fica sabendo que será encarregada da tarefa que era de sua mãe, a restauração da túnica do Cantor, um trabalho muito importante na sociedade.

     Acomodada e morando agora no Edifício de Conselho, conhece Thomas, um garoto de duas sílabas, assim como ela. Ele é o encarregado da restauração do cajado do Cantor. Juntos, criam uma amizade. Com o passar do tempo e com acontecimentos, eles começam a perceber que nem tudo que é bonitinho, realmente é e que existem muitos mistérios por detrás de suas funções e do governo. Deixando uma questão em dúvida também. Vale a pena trabalhar em algo que você é bom, mas que não te dá prazer e aquilo perde a magia, fazendo você perder a magia?

     A diferença do primeiro volume é marcante e a meu ver a autora queria mostrar exatamente essa diferença de uma sociedade para outra. Mostra com mais intensidade os sentimentos das pessoas, as emoções, também as cores com as tinturas para tecelagem e até insetos e animais presentes, dando destaque para os mosquitos que estavam presentes em quase todo momento.

     A grande crítica desse livro é mostrar uma população pobre com condições miseráveis e como ela é movida pela violência, inveja e maus tratos envolvendo todos, cidadãos e pessoas do governo. Podendo ser levado em consideração também a questão do trabalho forçado.

     Sendo bastante previsível, a autora repete muitos elementos que seriam de “O Doador de Memórias”. Para quem leu os dois, sabe como funciona o esquema, é mais ou menos assim: existe a pessoa principal, algo relacionado ao governo acontece e essa pessoa fica sabendo que foi encarregada de uma tarefa de grande importância, quando começa a trabalhar nisso, conhece outra pessoa que é sábia e essa mesma pessoa começa a colocar questões na cabeça da principal, fazendo com que ela reflita sobre a sua sociedade.

     Assim como o primeiro volume, é um livro feito para se refletir sobre as questões impostas no livro. Não necessariamente tem que haver um final que seja surpreendente e espantador, porém nesse livro é um final sem sentido, não parece um final. Mesmo tendo bastantes reflexões, o doador mexeu muito mais com o meu emocional.

     Esse em algumas partes estava até sendo chato, mas o livro é válido pela crítica e pela reflexão imposta nela. E é desse modo que quero ler o próximo, por essa relação existente entre você e o livro, te levando muitas vezes a usar algo dali para o seu dia-a-dia.
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